Mogli dos tempos modernos.

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| By : André


Foi descoberta em Tchita, na Sibéria Oriental, uma menina de 5 anos que foi criada por vários cães e gatos e que apenas se comunica por latidos.

A polícia local revela que a criança foi encontrada num apartamento degradado, onde também viviam os pais e os avós, que não cuidavam dela. A criança não era autorizada a sair, nunca aprendeu a falar.

"A menina foi criada por cães e gatos durante cinco anos, e não saiu de casa uma vez sequer", refere o comunicado de imprensa da polícia de Tchita, a que a AFP teve acesso.

"Quando foi encontrada, a menina saltou para cima das pessoas como um cachorrinho", acrescenta o comunicado. "Durante estes anos, ela só aprendeu a língua dos animais", pode ainda ler-se no comunicado, mas a polícia acrescenta que a criança parece entender o russo.

A menina foi enviada para uma instituição onde recebe ajuda médica e psiquiátrica. A polícia refere que a criança continua a pular junto à porta e a soltar latidos quando os médicos deixam o quarto.

"Ela não usa talheres para comer. Quando lhe damos uma colher, ela a ignora e come diretamente com a boca", relatou Nina Emelshugova, funcionária do estabelecimento, à rede de TV russa Rossia.

"Na hora de brincar, ela imita o que vê. Ela tinha muito mais contato com animais do que com humanos", acrescentou outro colaborador da instituição, citado pela agência Interfax.

Hoje a menina já brinca com outras crianças, mas não fala, e se comporta como um animal, relataram os psicólogos responsáveis por ela.

Multa para o pai


Depois da descoberta da menina, o pai, de 27 anos, foi multado por negligência e a mãe, que vive em outro lugar com outro filho, recebeu uma advertência.

O apartamento onde morava a família parecia um lixão, com um monte de objetos diversos, detritos e louça suja em todos os cômodos, segundo imagens mostradas pela TV russa.

Para a menina, o caminho da socialização deverá ser longo.

"Vamos torcer para que ela consiga ter uma vida normal", disse o diretor adjunto do Instituto psiquiátrico Serbski em Moscou, Evgueni Makushkin, ressaltando que o desenvolvimento psicológico destas crianças, muitas vezes traumatizadas, costuma ser complicado.

"Todas as funções motoras e de linguagem se desenvolvem nesta idade. Natasha vai precisar de um rigoroso programa de acompanhamento", acrescentou.

O caso de Natasha não é isolado. Desde 2003, uma dezena de histórias semelhantes foram registradas na Rússia, com crianças, maltratadas ou abandonadas pelos pais, andando ou se comunicando como cães e gatos.

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